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A crônica do cronista


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Quase 3 horas. Nada saía da mente. Nem ao menos uma piada, daquelas tão sem graça quanto charadas tiradas de revistinhas. Levantou-se uma, duas, três ou quatro vezes. Bebeu água, pulou sobre a cama, tomou banho (dizem que isso traz inspiração), plantou bananeira... Mas não tinha história alguma para escrever. 
"Não é possível! Há meses e nenhuma narrativa realmente boa eu consegui", pensou.
A máquina de escrever o encarava com certa frieza. Os papéis, com pequenas frases sem-efeito, estavam espalhados pelo chão. O chá frio. Ele parou fixando o chão.
"Talvez eu só esteja doente. Talvez eu tenha adquirido um vírus que modificou meu DNA. Agora com um novo psicológico, perdi todas as minhas habilidades literárias. Nunca mais escreverei uma crônica sequer. O editor-chefe provavelmente colocará alguém mais talentoso e imune a esse vírus infame que eu tive a infelicidade de conhecer. Sendo assim, não me resta se não duas saídas: desventurar-me pela vida sem a esperança de voltar a escrever ou buscar incansavelmente a cura e reestabelecer minha gloriosa carreira de cronista".
Ainda com um resto de esperança, foi a procura de sua recuperação. Após três meses seu editor-chefe pediu-lhe que viesse até sua sala. Seu primeiro romance estava pronto para ser publicado.